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Representantes da baixada fluminense devem encaminhar à Câmara propostas para combater violência contra jovens negros

05/06/2018 às 20h48

Fim dos autos de resistência, quando policiais justificam as mortes pela resistência à prisão, é uma das sugestões apresentadas

Legislação Participativa ouviu representantes da Baixada Fluminense


Em 2016 foram assassinados no Brasil 62,5 mil pessoas, deste total 71,5% eram negras ou pardas, segundo o Atlas da Violência divulgado pelo Ministério da Saúde. Para denunciar essa violência, foi realizado na Baixada Fluminense (RJ) o documentário "Nossos Mortos têm Voz" que narra a luta de mães de jovens assassinados por milicianos naquela região.

O documentário serviu de base para a audiência pública realizada nesta terça-feira (5) pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara.

O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) informou que os representantes da Baixada Fluminense deverão encaminhar à comissão propostas para enfrentamento do problema. "Para que a gente faça o enfrentamento dessa realidade tão dura que é o genocídio da população negra no Brasil", disse.

Autos de resistência

Representante da Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência do Estado na Baixada Fluminense, Luciene Silva destacou que a violência contra esses jovens tem apoio da população porque é justificada pelo combate ao tráfico de drogas.

Para Luciene Silva, além da dor de perder o filho, as mães ainda enfrentam casos não solucionados porque são legitimados pelos autos de resistência, quando policiais dizem que uma pessoa foi morta porque resistiu à prisão.

"A mãe que está sofrendo a dor de perder um filho executado não tem direito de querer que seja investigada a morte do seu filho, porque é a palavra do policial que conta”, lamentou. Uma das reinvindicações da rede de mães é que o depoimento do policial não seja suficiente para o encerramento do caso.

Para Adriano Araújo, do Fórum Grita Baixada, é preciso combater a cultura de violência que é endêmica também dentro do estado. Ele destacou que neste ano ocorreu no Rio de Janeiro uma chacina a cada nove dias.

"A polícia do RJ é uma das que mais mata, uma das mais violentas. O número de policiais que matam não vem diminuindo, mas vem aumentando. Dados do Instituto de Segurança Pública de março mostram que, inclusive durante a intervenção federal, esse número aumentou”, alertou.

Adriano considera que as estatísticas caracterizam genocídio de jovens negros, moradores de periferias, em todo Brasil. “Como na Baixada Fluminense, jovens com baixíssimo grau de escolaridade em áreas que são abandonadas de todas as formas possíveis", completou.

Ainda segundo o Atlas, os assassinatos de negros aumentaram 23%, enquanto o de brancos diminuiu 6,8% por cento no mesmo período.

Fonte: Agência Câmara de Notícias