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Mãe de adolescente morto na comunidade da Maré (RJ) em operação militar pede justiça

12/07/2018 às 18h00

Bruna Silva participou de audiência pública na Câmara nesta quarta-feira (11). O adolescente Marcos Vinícius Silva, de 14 anos, estava uniformizado e a caminho da escola quando foi baleado pelas costas pelas forças de segurança pública da intervenção militar no Rio.



Em audiência na Câmara dos Deputados (11/7), Bruna Silva, mãe do adolescente Marcos Vinícius Silva, de 14 anos, morto na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, em 20 de junho passado, durante operação militar das forças de segurança pública da intervenção militar no Rio, pediu investigação séria do caso e que se faça Justiça.

Sete pessoas foram mortas e duas crianças ficaram feridas durante a operação realizada pela Força de Segurança Nacional, em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Mais de 100 policiais, com o apoio de forças do Exército e da Polícia Judiciária Nacional, teriam participado da ação, que teve como objetivo, além do combate ao tráfico de drogas na região, encontrar os suspeitos de envolvimento na morte do inspetor chefe da Delegacia de Combate às Drogas, de Acari.

O adolescente Marcos Vinícius Silva estava uniformizado e a caminho da escola quando foi baleado pelas costas. Ele chegou ainda com vida ao atendimento médico, mas não resistiu.

Em depoimento emocionado, Bruna Silva relatou o caso:

"O meu filho lutou, ele lutou para viver. A pressão do meu filho subia, descia, quando descia eu e o pai caíamos em desespero. Daqui a pouco subia, eu falava no ouvidinho dele: vai, meu filho, reaja. Você é um guerreiro. Reage, meu filho."

As palavras finais do adolescente:

"Ele: mãe, não vai trabalhar, fica comigo. Ele, mãe, o blindado me deu um tiro. Eles não me viram com roupa de escola, mãe?"

A realidade dura dos mais necessitados:

"Eu e o pai nunca tivemos estudo. A nossa vida foi suada, sofrida. Eu trabalhava no lixão do Caju. Eu mexia lixo, revirava lixo podre, dos outros, para pegar uma garrafa pet, uma garrafa de óleo reciclável para poder levar o sustento para a minha casa. Eu já saí do lixão do Caju, gente, com vinte, com trinta reais, mas eu saía de lá feliz."

A dor que tem de ser superada:

"É muito triste eu chegar na minha casa, e eu não ter o lado alegre, o lado extrovertido mais dentro da minha casa. A minha casa agora é um museu, é um mausoléu."

O luto que vira luta:

"Eu não tive luto. Eu pulei do meu luto para a luta. Porque se eu tivesse luto, o Estado iria encontrar uma mãe drogada de remédio, se descabelando, batendo a cabeça na parede."

A acusação direta:

"O Estado do Rio de Janeiro que assassinou o meu filho. Eu falo isso, não estou com raiva, com ódio, não. Eu estou falando isso, escancarado, chamando eles de assassino que é para ver se eles mudam de conduta. Gente, que mira de policial mira numa criança? Não se mira em criança. A criança não é o mal do amanhã, não, eles são o futuro de amanhã. Os maus estão ficando."

E a força que nasce da dor:

"Gente, é uma frase que eu aprendi depois que o meu filho morreu, e eu tenho levado essa frase comigo: os nossos mortos têm voz, e os nossos filhos têm mães. Calaram o meu filho, mas não calaram a mãe dele."

O deputado Chico Alencar, do Psol do Rio de Janeiro, que propôs a audiência, informou que as comissões externas que acompanham as investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco e a intervenção militar no Rio também vão cobrar a elucidação desse crime.

Fonte: Rádio Câmara