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Intervenção federal na segurança do Rio completa seis meses; avaliações sobre resultados são divergentes

17/08/2018 às 15h08



O deputado Hugo Leal (PSD-RJ), coordenador da comissão externa da Câmara que acompanha a intervenção na área de Segurança Pública no Rio de Janeiro, faz um balanço positivo dos seis meses de atuação da operação militar.

Ele afirma que é preciso considerar apenas três meses, na verdade, porque o gabinete da Intervenção apresentou o seu plano de trabalho em maio. Hugo Leal explicou que um dos ganhos mais importantes da Intervenção foi o restabelecimento da autoridade nas polícias:

"Não havia política de fazer o combate ao crime, um combate mais eficaz. Havia a política da convivência. Obviamente, o que para mim falta ainda na Segurança Pública, no gabinete da Intervenção, é um pouco mais de inteligência e de tecnologia para detectar, para evitar o confronto. Mas o confronto, no aspecto atual, e principalmente nestes últimos seis meses, está se tornando inevitável. Por que? O domínio do ilícito, da marginalidade, do tráfico, da milícia, foi tão grande; a expansão foi tão grande; que eles não se conformam em ter nenhuma perda, entre aspas, de território."

O deputado acredita que o número de mortes aumentou no período da Intervenção porque os confrontos aumentaram. Hugo Leal disse ainda que os recursos de R$ 1,2 bilhão alocados para as operações estão sendo em parte usados para reequipar as polícias e a parte técnica das investigações como a perícia.

Para o Observatório da Intervenção, formado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, o balanço não é bom. Foram 2.617 homicídios dolosos, sendo que 736 moradores e 51 agentes de segurança foram mortos. Somente na baixada fluminense, teria havido um aumento de 48% nas mortes em ações policiais. Silvia Ramos, coordenadora do Observatório, destacou que o gabinete da Intervenção não solucionou os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Itamar Silva, conselheiro do Observatório, relata outros efeitos da Intervenção na sua opinião:

"Porque isso é importante a gente falar, que a intervenção não só não produziu dados positivos em relação à questão da violência, mas ela aprofundou o preconceito da sociedade em relação à favela. Ela aprofundou o lugar na favela como o lugar onde a violência será resolvida. E a licença para matar, ela foi institucionalizada."

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou que, pelo quarto mês consecutivo, o indicador de roubo de veículos registrou redução de 29% em julho. Já os roubos de carga tiveram queda de 28% no trimestre encerrado em julho em comparação com o mesmo período de 2017. O roubo de rua teve queda de 11% na comparação trimestral.

Fonte: Rádio Câmara